Pilates na Gestação27 de abril de 2026~7 min de leitura

Pilates na gravidez: três exercícios pra aliviar dor lombar e no cóccix

Dor abaixo da lombar e na região do cóccix é comum no início da gravidez. Veja três exercícios de Pilates na cadeira que aliviam pressão na coluna, mobilizam a pelve e cuidam do core sem risco pra mãe ou pro bebê.

"Comecei com uma dor um pouco abaixo da lombar, tipo no ossinho do bumbum"

Foi assim que uma das nossas alunas chegou na gente. Três meses de gravidez, e uma dor que ninguém tinha avisado: nem na lombar, nem na bacia, mas naquele ponto baixo, perto do cóccix. Se você é gestante e está sentindo alguma coisa parecida, esse post é pra você.

Esse tipo de dor, na lombar baixa, na região sacroilíaca ou no cóccix, é uma das queixas mais comuns na gestação. Não é frescura, não é raro e, principalmente, não precisa ser suportado em silêncio. Ele tem causa, e tem manejo.

Por que essa dor aparece logo no início da gravidez

Mesmo antes da barriga crescer, o corpo da gestante já começa a mudar. E a explicação mais conhecida costuma apontar pra um suspeito principal: a relaxina.

A relaxina é um hormônio que sobe ainda no primeiro trimestre e que, sim, atua na frouxidão ligamentar pra preparar a pelve pro parto. Daí veio a narrativa popular: ligamentos mais frouxos, articulação sacroilíaca instável, dor.

A história faz sentido na teoria, mas a evidência é mais nuançada do que se costuma falar. Um scoping review publicado no Journal of Manipulative and Physiological Therapeutics em 2021 analisou 9 estudos sobre hormônios da gestação e dor lombopélvica. A conclusão foi clara: a evidência é conflitante. Quatro estudos encontraram associação entre níveis de relaxina e dor, cinco não encontraram, e os autores concluíram que a relação entre hormônios gestacionais e dor lombopélvica permanece pouco esclarecida [1].

Ou seja, a dor da gestante não é só "culpa da relaxina". Ela é multifatorial: ganho gradual de peso, deslocamento do centro de gravidade, sobrecarga da musculatura paravertebral, alteração postural e tempo cada vez maior sentada. O cóccix, que normalmente recebe pouca carga direta, começa a sofrer compressão e desconforto justamente por essa combinação de fatores.

A boa notícia é que isso muda a estratégia de manejo. Se a dor não vem de um único hormônio circulando no sangue, ela pode ser manejada com o que muda os outros fatores: carga, postura, controle motor e mobilidade. Que é exatamente onde o Pilates entra.

Como o Pilates entra na história

Pilates trabalha exatamente o que a gestante precisa nesse momento: estabilização da pelve, mobilidade controlada da coluna e ativação do core profundo (transverso abdominal, multífidos e assoalho pélvico). Tudo isso sem impacto, sem carga axial pesada e sem flexão abdominal tradicional.

A gente já falou aqui no blog sobre a base científica do Pilates na gestação, com referências de revisão sistemática e meta-análise. Nesse post, o foco é prático: três exercícios que a gente faz na cadeira de Pilates com gestante, e por que cada um deles ajuda.

1. Press de braços sentada na cadeira

Gestante sentada na cadeira de Pilates pressionando o pedal com as mãos, exercício de press de braços para core e estabilização lombar

A gestante senta de lado na cadeira, com a coluna ereta, e empurra o pedal pra baixo com as mãos. Parece um exercício de braço, e é, mas o que mais trabalha é o core profundo e o assoalho pélvico.

Pra empurrar o pedal sem desabar a coluna, o transverso abdominal precisa ativar. Pra manter o tronco estável, os multífidos e o assoalho pélvico entram junto. Tudo isso na posição sentada, que é a mesma em que a gestante passa boa parte do dia. É um trabalho de força com estabilização, sem comprimir o cóccix nem sobrecarregar a lombar.

Como bônus, o exercício ainda fortalece tríceps e ombros, que vão precisar de força extra depois pra carregar bebê, bolsa, enxoval e tudo mais.

2. Articulação da coluna sentada

Gestante sentada no caixote ao lado da cadeira de Pilates, fazendo flexão da coluna com as mãos atrás da cabeça, exercício de mobilidade da coluna

Sentada no caixote, com as mãos apoiadas atrás da cabeça, a gestante faz uma flexão segmentada da coluna, vértebra a vértebra, partindo do pescoço e descendo até a região torácica baixa.

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Esse movimento é um dos melhores que existem pra descomprimir a região lombar e sacrolombar. Ao articular a coluna devagar, a musculatura paravertebral relaxa, os discos intervertebrais redistribuem pressão e o sacro, que estava travado pelo tônus excessivo da lombar, encontra mais espaço.

Pra quem está com dor "no ossinho do bumbum", esse exercício costuma trazer alívio quase imediato. Não porque ele "conserta" a dor, mas porque tira a pressão de cima dela.

3. Inclinação à frente com push down em pé

Gestante em pé inclinada à frente, com as mãos no pedal da cadeira de Pilates, fazendo o exercício de push down para alongar cadeia posterior

Em pé, de frente pra cadeira, a gestante apoia as mãos no pedal e o empurra pra baixo, mantendo a coluna alongada e a barriga "longe das coxas".

Esse exercício alonga toda a cadeia posterior (panturrilhas, isquiotibiais, glúteos, paravertebrais) e descomprime a coluna lombar pelo próprio peso do tronco caindo à frente. A resistência da mola da cadeira sustenta o tronco, então a gestante não precisa se preocupar em "aguentar o próprio peso", o que torna o movimento seguro mesmo com barriga maior.

É um dos preferidos no terceiro trimestre, justamente quando a gestante mais sente a coluna pesada e a postura mais alterada.

O que esses três exercícios têm em comum

Os três têm uma coisa em comum: mantêm a coluna em posição segura, evitam flexão abdominal pesada, não comprimem o cóccix e ativam o core profundo de um jeito que faz sentido pra quem está grávida.

Nenhum deles é "exercício de grávida light". São exercícios reais, com carga, com mobilidade, com ativação. Só que pensados pra um corpo que está mudando, e respeitando o que esse corpo pode (e o que ele não deve) fazer.

Cada gestante é única

Antes de fazer qualquer exercício na gravidez, a primeira regra é simples: liberação do obstetra. Sangramento, placenta prévia, pré-eclâmpsia, risco de parto prematuro e algumas outras condições contraindicam ou exigem adaptação específica.

A segunda regra é tão importante quanto: acompanhamento de profissional habilitado. Os exercícios dessa página parecem simples, mas têm detalhes de execução, dosagem e progressão que mudam de pessoa pra pessoa, de trimestre pra trimestre, e às vezes de uma semana pra outra. O que funciona pra uma gestante de 3 meses não é o mesmo que funciona pra alguém com 32 semanas.

Por isso, na Soliê, gestante é atendida individualmente ou em duplas, com no máximo 2 alunas por instrutora. Cada aula é planejada com base na semana gestacional, no histórico obstétrico, nas queixas atuais e na liberação médica.

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Se você é gestante e está com dor lombar, no cóccix, na sacroilíaca ou só quer chegar no parto com mais força e menos dor, vem fazer uma aula experimental gratuita com a gente.

A gente avalia, conversa, adapta. E mostra na prática como o Pilates pode ser, sim, o melhor cuidado que você dá pro seu corpo durante a gestação.


Referências

  1. Daneau C, Houle M, Pasquier M, Ruchat SM, Descarreaux M. Association Between Pregnancy-Related Hormones and Lumbopelvic Pain Characteristics in Pregnant Women: A Scoping Review. Journal of Manipulative and Physiological Therapeutics, v. 44, n. 7, p. 573-583, 2021. DOI: 10.1016/j.jmpt.2021.10.001
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