Depoimentos12 de agosto de 2026~7 min de leitura

Dor na cervical de quem trabalha no computador: o caso da Luciane

Luciane passava o dia no computador e convivia com dor na cervical. Depois do Pilates na Soliê, ela relata 90% de melhora. O depoimento e o que diz a ciência.

"Eu tinha várias dores na cervical, muita dor"

Luciane é aluna da Soliê Pilates. Antes de começar, ela convivia com dor na região do pescoço quase todos os dias e não tinha nenhuma vontade de se exercitar.

Nas palavras dela:

Eu tinha várias dores na cervical, muita dor, e me sentia um pouco indisposta para fazer exercício físico, não gostava.

Hoje o relato é outro. Luciane diz que as dores melhoraram 90%. É a percepção dela, não uma medida de consultório, mas é exatamente o tipo de mudança que faz alguém sair da cama mais cedo para vir treinar.

Por que a cervical dói em quem trabalha sentado

Luciane trabalha muito no computador. Esse é o cenário mais comum de dor cervical que recebemos no estúdio, e ele tem uma explicação mecânica bem direta.

Quando a cabeça se projeta para frente na direção da tela, o peso que a musculatura do pescoço precisa sustentar aumenta muito. A cabeça de um adulto pesa em torno de 5 kg em posição neutra. Basta ela sair do alinhamento para que os extensores cervicais, o trapézio superior e o elevador da escápula passem o dia inteiro em contração para segurar essa carga.

Três coisas costumam se somar nesse quadro:

Sobrecarga por tempo, não por esforço. Não é um movimento pesado que machuca. São oito horas de contração de baixa intensidade, sem pausa, todos os dias.

Musculatura profunda desligada. Os flexores profundos do pescoço, que deveriam estabilizar as vértebras cervicais, ficam inibidos. O trapézio superior assume o trabalho deles e vira o músculo que dói.

Falta de movimento. A coluna cervical foi feita para girar, inclinar e flexionar o dia inteiro. Parada na mesma posição, ela perde mobilidade e o desconforto se instala.

O que a ciência mostra

Uma revisão sistemática com meta-análise publicada em 2025 no BMC Musculoskeletal Disorders reuniu 8 ensaios clínicos randomizados, com 439 participantes com dor cervical crônica.

Comparado a nenhum tratamento ou a cuidado mínimo, o Pilates reduziu dor e incapacidade. No seguimento de 8 a 12 semanas, a diferença média foi de 2,54 pontos na escala de dor e de 5,64 pontos no índice de incapacidade cervical, com certeza moderada da evidência.

Vale a honestidade sobre o outro lado do resultado: quando o Pilates foi comparado a outros tipos de exercício ativo, não houve vantagem clara para nenhum dos dois. Ou seja, a evidência não diz que o Pilates é superior a tudo. Ela diz que exercício estruturado funciona para dor cervical crônica, e que o Pilates é uma das formas eficazes de fazer isso.

Há um segundo dado que interessa a quem trabalha sentado. Uma meta-análise publicada em 2023 no Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy juntou 5 ensaios randomizados com 1.722 pessoas sem dor cervical no início do estudo, das quais 80% eram trabalhadores de escritório. O resultado: quem fazia exercício teve cerca de metade do risco de desenvolver um novo episódio de dor no pescoço em até 12 meses, com certeza moderada da evidência.

Traduzindo: o exercício ajuda quem já dói e protege quem ainda não dói.

O que fez a diferença para a Luciane

O primeiro ponto que ela levanta não é sobre exercício. É sobre limite.

Em primeiro lugar, me respeitaram, respeitaram a minha limitação.

Quem chega com dor cervical costuma chegar com medo. Medo de piorar, medo de fazer errado, medo de descobrir que o corpo não dá conta. Começar por onde a pessoa consegue, e não por onde o protocolo manda, é o que permite que ela volte na semana seguinte.

Luciane nunca tinha feito Pilates e não conhecia os aparelhos:

Eu nunca tinha feito pilates, não conhecia nada de equipamento. Então as meninas foram muito pacientes, tiveram muito profissionalismo para poder me ensinar a respirar, a entender os movimentos, a entender meu corpo, ter a minha consciência corporal.

Aprender a respirar parece detalhe, mas é o começo do trabalho cervical. A respiração torácica, feita com as costelas e com o diafragma, tira do pescoço a função de puxar ar que ele nunca deveria ter assumido. Quem respira elevando os ombros usa escalenos e trapézio superior a cada inspiração, e são justamente esses os músculos que já estão sobrecarregados.

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De "não gostava de exercício" para "marco aula extra"

Essa é a parte que mais chama atenção no depoimento. Luciane começou sem gostar de exercício. Hoje ela diz:

Consegui vir semanalmente nas minhas aulas e, quando sobra um horariozinho na agenda, ainda marco mais uma aula extra na semana.

Nenhum programa de exercício funciona se a pessoa abandona. Aderência é o fator silencioso por trás de qualquer resultado, e ela vem de duas coisas: sentir melhora e não sofrer no processo.

Ela também descreve um ganho que não estava no plano inicial:

Eu trabalho muito no computador, então eu senti uma melhora enorme, uma disposição também.

Disposição costuma aparecer antes da força. É consequência de circulação, de respiração melhor e de sair da imobilidade prolongada.

Um momento que é só seu

Um trecho do depoimento vale por si:

Também é importante dizer que é um momento da gente. A gente tem que tirar um momento para a gente, e o pilates mostra muito isso, porque você não consegue pensar na agenda, no telefone. Tem que se concentrar nos exercícios, senão não consegue fazer.

Isso não é discurso de bem-estar. É característica do método. Os exercícios exigem atenção na respiração, no alinhamento e na velocidade do movimento ao mesmo tempo. Quem se distrai perde o exercício. Para quem vive com a cabeça na tela e no celular, uma hora de atenção obrigatória em outra coisa tem valor próprio.

O teste real: ela trouxe a mãe

Luciane levou o método para a família:

Eu trouxe minha mãe aqui também, com 80 anos. Minha mãe amou. E os amigos que eu estou indicando, está todo mundo gostando.

Uma mulher de 80 anos e uma profissional que passa o dia no computador não fazem a mesma aula. Não deveriam mesmo. É por isso que cada aluno passa por avaliação antes de começar e recebe um plano montado em cima do corpo dele, não de uma ficha padrão.

Nas palavras da Luciane sobre o estúdio:

Eu me apaixonei pelo lugar também. Eu sou super organizada, limpa. Tratam cada aluno como se fosse único.

Cada cervical é diferente

Um lembrete necessário. Dor cervical persistente, principalmente quando vem acompanhada de formigamento no braço, perda de força na mão, tontura ou dor de cabeça intensa, precisa de avaliação médica antes de qualquer exercício. O Pilates entra depois desse diagnóstico, conduzido por profissional habilitado e ajustado ao seu quadro.

O que funcionou para a Luciane foi o plano dela, construído a partir da limitação dela.

Pilates na Soliê

Na Soliê Pilates, no Água Verde em Curitiba, as turmas têm no máximo dois alunos por instrutora. Cada movimento é corrigido na hora, e o plano é revisto conforme o corpo responde.

É assim que uma pessoa que não gostava de exercício passou a marcar aula extra quando sobra um horário na agenda.

O fecho fica com ela:

Eu acho que tem que vir para a Soliê.

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Referências

  1. Lazoura E, Savva C, Ploutarchou G, et al. Effectiveness of the pilates method in patients with chronic neck pain: a systematic review with meta-analysis. BMC Musculoskeletal Disorders, v. 26, art. 629, 2025. DOI: 10.1186/s12891-025-08888-2
  2. Teichert F, Karner V, Döding R, Saueressig T, Owen PJ, Belavy DL. Effectiveness of Exercise Interventions for Preventing Neck Pain: A Systematic Review With Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy, v. 53, n. 10, p. 594-609, 2023. DOI: 10.2519/jospt.2023.12063
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